A Verdadeira Alegria

by junho 17, 2018


“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos”.  
                                                             Filipenses 4:4-Almeida “FIEL”.

Esse é o tema central da carta aos Filipenses, a alegria! Mas não qualquer alegria, é uma muito específica e que só é possível para quem vive em  proximidade com o Senhor. “Alegrem-se”, diz o apóstolo, “no Senhor”. Ele repete várias vezes, o tema está lá, de um modo ou de outro, em todos os capítulos.
Falamos disso antes, “é um contentamento que independe das circunstâncias exteriores” (Eu tenho a Força? ). Não tem coisa mais estranha do que dizer que devemos nos alegrar quando tudo ao nosso redor nos diz o contrário. Mas Paulo o faz amparado na verdade eterna! Quem está em Cristo passou da morte para a vida!
Não é uma alegria “forçada”, flui do Senhor, é fruto do Espírito (Gálatas 5:22). Não é uma coisa “da carne”. Por ela Paulo não tinha muito do que se alegrar. Ele estava preso, e havia a possibilidade de que não sobrevivesse (Fp 2:17), mas isso pouco importava, “viver é Cristo, morrer é ganho” (Fp 1:21). Não é algo fácil de se entender, nem é algo para se entender mesmo. É algo que se experimenta na fé!
Nossa geração é uma das mais prósperas que já viveu, e mesmo assim há muita tristeza entre nós. Os sábios antigos já sabiam que a alegria sincera é terapêutica. ”O coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos”, Provérbios 17:22.
Nossa prosperidade nos deu uma vida melhor, mas não tem o poder de nos dar uma paz verdadeira. Tampouco satisfação permanente. As pessoas vão vivendo de uma alegria temporária e barata, na esperança de que juntando momentos com momentos, a vida possa por fim ser boa. Mas isso não é alegria. É entretenimento. Só faz esquecer. Mas a memória volta...
A alegria que Cristo oferece não é isenta de sofrimento ou dor. Ela é uma flor que brota da certeza e da fé, e que brilha quando tudo mais está apagado.
O Deus que falou por Paulo sabe que temos razões demais para andarmos ansiosos, e essa ansiedade é um dos ingredientes do nosso excesso de tristeza. O que Ele nos diz é que devemos levar essas ansiedades aos Seus pés, exercendo nossa gratidão com lábios sinceros. E assim, unidos com Deus na mente e no coração, participamos da sua glória, manifesta nessa alegria. Nós lançamos diante dele a nossa dor, e Ele nos garante que Sua paz que excede todo o entendimento guardará nossos sentimentos e pensamentos" ( Fp 4:6 e7).

Esse é o segredo da Alegria Verdadeira!

Apenas imaginar

by junho 12, 2018

"Porquanto em parte conhecemos e em parte profetizamos;" I Co 13.9




O como seria bom poder contemplar aquilo que nós almejamos. Nesses últimos dias parei para meditar um pouco de como seria ver aquilo que eu almejo. Uma visão única e que não tenho a mínima ideia de como será. Está parecendo um texto sem nenhum objetivo, mas, eu demonstrarei aos poucos o seu real sentido.
As vezes, tomamos atitude de imaginar como seria ou onde estaríamos se às nossas ações e atitudes do passado fossem diferentes das quais tomamos. Me levarei mais além onde estarei daqui a dez anos? Como será a minha vida? Aquilo que eu almejo terei conquistado?
É em meio a todas essas dúvidas que me encontro sou levado ao mesmo pensamento do apóstolo Paulo diz em Fp 1 20-24 que o seu desejo era de estar perto de Cristo, mas, por causa dos seus discípulos queria estar aqui. Creio que todos os verdadeiros cristãos já tiveram ou têm esse desejo. Não seria de se estranhar um desejo de ver a Glória de Deus em seu tabernáculo. Sim, sonho de muitos onde poucos conseguiram visualizar a grande majestade de Deus.


1 - A visão celestial de Isaías.


O que aconteceria com você ao entrar  no templo visualiza-se o trono de Deus? Eu fico me perguntando em todos os momentos quando o mínimo da sua presença é sentida nos cultos. Será que foi isso que o profeta sentiu? ou não chega nem perto da grande visão (Is 6.1-6). O como queria poder estar do lado de Isaías nesse momento, sentir um pouco do gostinho de poder contemplar a face de Deus.
Aquela visão foi magnífica ao ponto do profeta reconhecer a sua inferioridade e a sua real situação perante Deus. Muitos teólogos e estudiosos dividem o ministério do profeta antes e depois do capítulo seis. A mudança de atitude para com as coisas sagradas mudou por completo, suas ações foram mais ousadas e de forma direta. A intimidade com Deus mudou ao ponto de a qualquer momento o profeta ser usado por Deus. Ora Isaías não foi qualquer um, ele é o profeta do Messias, o que anunciou a forma virginal de Cristo. O capítulo ignorado pelos judeus na leitura anual da tanach (Is 53), sim tudo isso após a grande revelação de Deus a Isaías.


2 - Nos pés da visão.


O desejo de morte de Isaías não seria o único a ser relatado dentro do livro sagrado. O que falar de Daniel? João? Paulo? que tiveram o prazer (mesmo de forma diferentes) contemplar a presença de Deus. Daniel e João prostrados e caídos como morto diante da figura manifesta para eles de Deus. As visões de João no livro de Apocalipse nos leva a uma prova mais apurada daquilo que Isaías poderia ter presenciado (Ap 4.2), como pode ser isso? o autor do livro de apocalipse dar apenas referências a pedras preciosas e não conseguir descrever de como é realmente aquele ser sentado no trono.
É de se maravilhar ao ler todas alusões feitas a Deus dentro de Apocalipse, o como é maravilhoso poder imaginar a presença de um Ser Supremo. João conseguiu visualizar apenas os reflexos do seu grande objetivo. Em Ap 21.23 nos leva a acreditar que ele não conseguiu presenciar, pois, o resplendor de sua glória ilumina tudo à sua volta. Que grandioso ser é esse? O que João realmente pode presenciar no trono de Deus?
Cabe somente aqueles que têm a sede e a vontade apenas imaginar e esperar. E pedir para Deus que aquele “grande e maravilhoso dia para nós”. Se cumpra o mais rápido possível, pois, tenho sede de sua presença.


Shalom lekulam.

Um Convite à Teocracia... Ou não?

by junho 01, 2018

"Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo ao qual escolheu para sua herança". Salmo 33:12 (ACF*).

Esse texto muitas vezes é usado por políticos cristãos como se fosse um convite para que qualquer nação se tornasse "cristã".

Mas é um erro. A palavra "SENHOR" substitui, no texto hebraico, YHWH, (יהוה), o Tetragrama para o nome de Deus. Muitas vezes essa palavra é transliterada por JEOVÁ ou JAVÉ, entre outras formas variantes. O hebraico não possui caracteres vogais, e como a Lei proibia "tomar o nome de Deus em vão" (Êxodo 20:07), a vocalização correta da palavra começou a se perder quando o TEMPLO judaico foi destruído pelos exércitos romanos em 70 d.C. O NOME (HaShem) era pronunciado apenas uma vez por ano pelo Sumo Sacerdote judeu no Dia da Expiação (Levítico 23:27), o YOM KIPPUR. Contribuiu nesse “esquecimento” o fato de que na diáspora** a maioria dos judeus passou a adotar as línguas locais, ficando o hebraico para uso litúrgico e dominado apenas por estudiosos. E durante muito tempo as comunidades judaicas viveram isoladas dos centros de cultura ao redor.

Séculos mais tarde (século VI em diante), sábios judeus chamados “massoretas” (escribas) criaram um sistema de sinais diacríticos colocados acima, abaixo e ao lado das letras hebraicas para indicar os sons vocálicos. Como os judeus não devem pronunciar YHWH, eles costumam utilizar ADONAY (Meu Senhor) em seu lugar. Em torno de 1100 d.C., alguém  pegou os sinais diacríticos de “Adonai” (não procure a correspondência em português) e os colocou em YHWH dando origem a Yehowah. Um costume adotado bem antes pelos leitores judeus (ler “Senhor” onde o texto dizia”YHWH) e já presente na SEPTUAGINTA***. Algumas edições da Bíblia continuaram o costume, e utilizaram SENHOR onde o texto trazia o Tetragrama.

Portanto "SENHOR" no Salmo 33 não está adjetivando “Deus”, mas é um substantivo para o Seu nome. O salmista não está convidando as nações a se tornarem teocracias, mas afirmando que das nações que havia em seu tempo, a "Bem-Aventurada" e escolhida era aquela que tinha como Deus nacional a YHWH. Não era a Babilônia com seu Marduk, nem a Filístia com Dagom, o Egito com seus inumeráveis deuses, ou uma das variações de Baal, mas ISRAEL e YHWH.

A estrutura poética do versículo esclarece isso. É muito importante para a poesia hebraica o paralelismo. Existem dois tipos principais de paralelismo na Bíblia, o antitético (quando um verso contrasta com o anterior por uma ideia oposta) e o sintético (quando um verso complementa o anterior usando uma ideia sinônima). No texto epigrafado o uso é sintético. “Nação” e “povo” são uma unidade. Aquele povo e aquela Nação. Deus não escolheu nenhuma outra nação da Terra, além de Israel, para levar o seu nome (Amós 3:2).

O cristianismo não é uma fé nacional, como era o judaísmo primitivo. É uma fé universalizante e de natureza espiritual que conclama os homens a aderirem a uma cidadania celestial. Existem cristãos, mas não uma "nação cristã". Podemos e devemos orar pela nossa nação e pelos nossos líderes (I Tm 2:1-3). Mas não faremos nossa nação abençoada apenas proclamando o senhorio de Deus sobre ela, “do Senhor é a Terra e tudo o que nela existe” (Sl 24:01,NVI), e sim proclamando nossa fé através dos nosso atos e palavras e agindo de acordo com seus valores (II Co 2:15).

Quem usa o salmo 33:12 apelando para uma “teocracia evangélica”, ou para justificar políticos, ditos cristãos, que não têm comprometimento com a ética evangélica, não entendeu o texto, ou, o que é mais provável, está querendo enganar os fiéis.

* Almeida Corrigida e Revisada “Fiel”.
**Diáspora: dispersão dos judeus por todo o mundo, I Pe 1:1.
*** LXX. Tradução grega do Antigo Testamento produzida no período helenístico anterior a Cristo e muito importante na produção do Novo Testamento.

Desista...de desistir!

by maio 23, 2018

"Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus".  Filipenses 3: 13, 14- NVI.
Desistir. Quem nunca pensou em largar algo que parecia além de suas forças? Quando eu me defronto com situações assim, e elas acontecem muito comigo, é na Carta aos Filipenses que encontro o conselho de quem soube viver com as adversidades.
No texto que você leu acima, Paulo fala de algo bem específico, o fim da fé, seu objetivo, que é alcançar a vida eterna. O interessante é que falando desse ideal tão elevado, Paulo nos alimenta com um princípio de vida cristã que pode nos ajudar numa série de outras situações que não estão diretamente relacionadas com a ressurreição dos mortos.
Paulo entendia que (v 12) ainda não tinha sido “aperfeiçoado”, ele olhava para si mesmo e via imperfeições. Apesar de todo o conhecimento que alcançara enquanto era fariseu (vs 4-7), ele entendia que conhecer a Cristo tornava tudo isso como “esterco” (v. 8) e que sua finalidade, apesar das coisas passadas, era continuar crescendo nesse conhecer.
Mas o aprendizado tem um preço, e Paulo mais do que ninguém entendia isso. Para aprender erramos muito, o caminho da perfeição é pavimentado com sofrimento.
Você pode, ensina Paulo, pensar apenas nas vezes que falhou, ou pode, como ele, focar o alvo. Esse é o seu ensino, que uma pessoa não deve deixar que as falhas travem seu progresso. É preciso continuar, é necessário deixar o que passou para trás.
Não passou no vestibular? Não conseguiu aquele emprego? Não corre cinco quilômetros em 30 minutos? Ora, você aprendeu com o processo, agora deixe aqui a frustração e aproveite o bem que obteve, sua experiência, para tentar de novo ano que vem.
E aprendendo essa lição nas pequenas coisas você tem um quadro do que te espera lá adiante, no local onde estão as “grandes coisas”.
Ei, deixe esse obstáculo aí, você já passou por ele, ali na frente tem outro, mas você está mais forte agora.
O prêmio é garantido para todos os que não desistem!

A religião

by maio 14, 2018

A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e se guardar insento da corrupção do mundo.Tg 1.27



Desde o inicio da humanidade, é comum o homem ter a necessidade de um 'ser criador', para que, através de sua crença, muitas coisas sejam explicadas; essa existência nos traz, até o dia de hoje o conceito de religião. Em todos os países, podemos observar os mais diversos tipos, destas "entidades criadoras", onde cada um tem a sua visão simplificada. Religião, um mal necessário. Encontramos três palavras do latim para a origem da palavra religião. 1) A primeira é “RELIGARE", que tem o significado de “religar o homem ao meio divino”, logo, religião podemos conceituar que "é o meio em que o homem se conecta ao deus em que ele crê". Assim, a religião seria o elo que faltava, mas, nós cristão cremos que Jesus nos liga a Deus através de seu sacrifício na cruz. 2) A segunda palavra do latim é “RELEGERE”, muito parecida com a primeira; mas, com o significado diferente. O seu significado é “reler” referindo-se aos escritos sacros e em suas meditações dentro deles. 3) A terceira e ultima palavra é “RELIGIO”, das três é a qual está escrita na versão vulgata da bíblia, o que significa "cultuar a uma entidade". Tendo essas três palavras em mente, os estudiosos acreditam que a palavra surgiu. Podemos observar que religião, é a aproximação de Deus através da meditação ou leitura de seus escritos e o prestar culto a ele. Mas, qual é a aplicação do termo cultuar nos dias hodiernos? Qual é a nossa verdadeira religião? Tentarei lhe ajudar nessa resposta. A religião hoje como nós vemos, está a cada dia se tornando um clube social: com pessoas que pensam da mesma forma, e tem a visão de uma divindade de forma idônea. Muitas vezes estamos passando longe do texto de Tg 1.27. É fato, e não podemos nos esquecer que o evangelho de Cristo ao longo de seus quase dois mil anos de existência sofreu muitos ataques e violações a sua mensagem original. Com a falsa conversão do imperador Constantino, o cristianismo passa a ser a religião oficial do império, e com o passar dos anos sofre variações de crenças e costumes, para aderir outros povos pagãos ao seu rebanho. O evangelho original passa a ser usado como forma de controle dos outros povos, servindo para os escravizarem nas colônias. O que falar dos jesuítas que no Brasil império catequizou diversos índios e os negros que foram vendidos como escravos e que tiveram de negar a sua crença para poder sobreviver? Todos os acréscimos de outras culturas e religiões adentraram ao cristianismo, tornando-o que vemos hoje. Um evangelho vazio e distante dos ensinamentos de Cristo. Religião, pura e imaculada. Duas palavras-chaves em nosso versículo principal, demonstram o que é religião ou como a religião deve se apresentar. Tiago coloca duas palavras com o sentido parecido perto da outra: pura e imaculada. As duas palavras, possuem o sentido de pureza ou de estar limpo, mas, o seu significado é diferente dentro do texto original o que analisaremos agora. A palavra “katharos”, traduzida como pura tem o significado de “estar limpo” a qual é derivada da palacra grega kataridzo, logo, a primeira forma que a religião deve ser é: "limpa completamente, sem nenhum desvio de conduta ou interferência externa que contradiz os escritos sacros". O significado melhor posto para a palavra no original é “SEM MISTURA”, ou seja, acreditar apenas naquilo que os escritos nos afirmam e serve de como guia para crermos na existência divina. Somente esta palavra, já, bastaria para nos mostrar o que seria "a verdadeira religião". A palavra “amiatos”, traduzida por imaculada tem em um de seus significados a palavra pura, logo, seria uma duplicidade dentro do texto de Tiago. Mas, analisando um pouco mais, encontraremos outro significado para esta palavra. Podemos dizer que a palavra imaculada é “SEM MANCHA” ou “NÃO VIOLADO”. Sendo, assim, a verdadeira religião tem que ser sem mistura; contendo apenas o ensinamento das escrituras. Agindo assim, conforme o “relegere” e ao mesmo tempo sem mancha não tendo qualquer tipo de contaminação com o exterior e sendo fiel a palavra de Cristo. Religião, o santo comum. Em Tg 1.26 lemos sobre o perigo de uma falsa religião o que torna uma pessoa comum em uma pessoa religiosa. Vamos examinar religioso no texto original. A palavra “threskos” como significado de cerimonioso aparece somente neste versículo. Nos leva a acreditar que mesmo estando dentro de uma religião muitos podem não ter o “religare” com Deus. O que torna-o num cerimonialista e cumpridor de todos os rituais de culto moderno, ordenados e organizados por homens e não pelas mãos divinas. Quantas vezes levamos as nossas cerimônias como se fossem sacras? A liturgia muita das vezes atrapalha o agir de Deus no meio de seu povo. Em uma igreja tradicional, é comum termos a seguinte liturgia:Oração, hinos dos hinários, leitura da bíblia, departamentos ou cantos avulsos e a mensagem. É fácil, estarmos envolvidos no sistema moderno de adoração e não observarmos a outra parte do significado de threskos. A palavra deriva-se em diversas outras palavras, podemos encontrar dentro do verbo “throeo e threomai” (clamar e lamentar) e mais uma palavra “thresobes” que tem o significado de ser temente a Deus.
Conclusão A religião é um mal necessário, pois, em sua forma original é aquilo que nos liga a Deus, através da releitura das escrituras sacras através dos cultos prestados a Deus. Voltemos ao verdadeiro evangelho e edifiquemos um altar para Deus.

Os justos (Jó) - Segundo de sete

by maio 05, 2018
"Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles pela sua justiça livrariam apenas as suas almas, diz o Senhor DEUS." Ez 14:14
É comum falarmos sobre justiça e ligarmos ao código civil de cada país e nação existente no planeta, assim, formar outro conceito do que é uma pessoa justa. Podemos considerar que, uma pessoa que vive em determinado país e cumpre toda a sua lei civil como sendo uma pessoa justa. É com essa introdução que começaremos a falar sobre o nosso segundo justo, Jó, um homem inocente que foi condenado pelos seus amigos. Dentre todos os livros existentes na bíblia sem duvida nenhuma o meu livro favorito é o de Jó. A história sobre fidelidade, retidão, justiça e temor a Deus contido nesse livro deve servir de inspiração para todos nós.

1 – Jó, fiel durante a provação.

No inicio do livro de Jó lemos as quatro principais características do nosso personagem. Jó 1.1 nos diz que ele era reto (tsadik) é a primeira das quatro características citadas logo no inicio dessa passagem, assim, conhecemos a sua conduta para com o seu próximo e as leis de seu país. O versículo continua com as outras características de Jó, mas, a quarta nos mostra um fator interessante que muita das vezes foge aos nossos olhos. “E desviava-se do mal”, ser justo não é somente obedecer às leis de um país ou ser temente a Deus, a terceira característica de Jó, mas é desviar daquilo que lhe possa fazer errar. O salmista foi muito sábio ao nos instruir no Salmo 1 pra que nos separássemos daquilo que tem a aparência do mal. Em nenhum momento nos manda afastarmos de nossos amigos e sim que o nosso prazer esteja na lei do Senhor (Sl 1.2). A retidão de Jó para com Deus foi o alvo de grande disputa no céu (Jó 1.6-19), onde o próprio Deus põe as quatro características e acrescenta “não existe homem igual a ele”. O ataque se levou primeiramente aos bens matérias e depois a para a sua saúde, mas, o final do capítulo nos demonstra o grande caráter desse homem de Deus. “Em tudo Jó não pecou e nem atribuiu falta alguma” (Jó 1.21), esse é o versículo chave de todo o livro de Jó. Mesmo tendo diversos motivos para pecar e amaldiçoar a Deus como sua própria esposa assim falou (Jó 1.19).
A Bíblia diz que o estado de Jó era desprezível ao ponto de seus amigos não conseguirem falar durante sete dias, por ver a situação em que ele se encontrava. Nos capítulos restantes lemos uma conversa entre acusadores (amigos) e o defensor (Jó) que segue durante 36 capítulos do livro (Jó 2-37) e os capítulos finais e a defesa divina para com a vida de Jó e a sua redenção. A crença em um Deus que punia apenas os que cometiam infidelidade ou aquele que cometera algo de errado era a principal visão dos moradores de Uz (cidade de Jó) e o mesmo tinha a mesma filosofia em sua mente. Mas, com uma grande diferença, ele sabia que não tinha feito nada de errado.

2 – A justiça de Jó testada por Deus.

Podemos achar Deus injusto lendo o livro do nosso personagem. Ele não tinha cometido nenhuma falha nem um desvio de conduta que ele merecesse ser punido. Mas, o simples fato de mostrar que uma pessoa poderia ser grata a Deus, mesmo que perdesse tudo que ele tivesse na vida. O castigo ou a aprovação serve para demonstrar o quão justo nos podemos ser, mesmo que percamos tudo que tenhamos.

 A prova de Jó nos é explicada no ultimo capítulo do livro (Jó 42.5), um homem completamente religioso que seguia todos os padrões determinados por homens, sacrificava pelos erros que seus filhos pudera ter cometido (Jó 1.4-6), seguia todos os rituais praticados na época e que seu coração estava completamente voltado para as ações bondosas e aquilo que era correto a ser feito. 

Aves Solitárias

by abril 30, 2018

Eu sou igual a um pelicano no sertão e como uma coruja nas ruínas” Salmo 102:06
Nos Salmos encontramos a nossa humanidade. Assim como em alguns deles ouvimos falar de mistérios, em outros, como o 102, encontramos a mais clara expressão das perplexidades e angústias que experimentamos durante a vida.
Um pelicano no deserto e uma coruja sozinha num lugar destruído. O pelicano é uma ave aquática, dá para entender a perplexidade da coisa. E a coruja parece nos indicar alguém que observa a partir de um mundo em ruínas, como dizem algumas versões.
Ele fala de solidão, mas não apenas o estar sozinho, é também a solidão de sentir-se sozinho. Esse é o lamento de um homem que olha para sua terra destruída, e olha também para dentro de si.
Ele aguarda em silêncio, sabe que (v. 12 e 13) nada disso é permanente. Ele olha para um futuro em que Deus atenderá a oração do desamparado (v. 17).
O homem olha para si, e há desolação na sua alma. Mas ele olha também para a sua Terra, e a desolação é assombrosa!
Quantos não estão como esse salmista hoje? Na solidão pessoal, e com um gemido pela Terra que vai sendo devastada por mãos ímpias?
Somos isolados nas nossas dores, solitários, pois ninguém mais pode experimentar o que experimentamos. E somos unidos com nosso povo nas coisas que afligem nossa terra. Tais são as dimensões psicológica e social dos seres humanos.
Mas Deus é o Deus da História! E é o Deus que sabe como me sinto, pois não apenas contempla o ir e vir das coisas, Ele tomou sobre si a minha humanidade (e iniquidades).
Deus não olha lá de cima, distante, o sofrimento humano. Ele está ao lado dos que choram e promete que toda lágrima enxugará!
O salmista esperava que seus descendentes vissem a salvação sobre sua Terra e seu povo. Nós temos a certeza de que veremos com nossos olhos e n'Ele viveremos, ainda quando todas as Terras não passarem de um ponto na longa história da Eternidade.
Ele não é só o Deus que te contempla, ele é o Deus que está andando com você nesse deserto!


Voemos.

Os justos (Noé) - Primeira de sete

by abril 20, 2018
"Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles pela sua justiça livrariam apenas as suas almas, diz o Senhor DEUS." Ez 14:14
"Disse-me, porém, o SENHOR: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não estaria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam". Jr 15.1

O que é ser justo? Segundo o dicionário da língua portuguesa diz: "A pessoa que segue todas as leis e regras postas para ele". A palavra tem origem no latim, da palavra “justus” que significa 'aquele que é conforme a justiça'. Mas, na bíblia temos outra palavra, agora no hebraico para justo. A palavra “tsadik” (santo) tem a sua raiz na palavra tzedek que significa justiça e integridade, ela também pode ser derivada da palavra tzedakah caridoso ou retidão.
Mas, o que poderia ser santo? Ou viver uma vida de retidão, sem infringir nenhuma lei? Na bíblia existem duas passagens, que mostram cinco pessoas que podemos considerar “tsadikim” (justas ou santas). O assunto é longo demais para ser resumida em uma só ministração, assim, dividirei em alguns estudos, para melhor facilitar a compreensão dos textos sagrados que analisaremos (Ez 14.14 / Jr 15.1).


1 – Noé, fiel em tempo de depravação.


         O primeiro personagem chama-se Noé (Noah), ele é a pessoa, que entre as historias dos 'dilúvios' existentes em todos os povos antigos, tornou-se uma figura ímpar, para que a sequência da vida humana, pudesse chegar até os dias de hoje. Mas, contentaremos com o nosso Noé e vamos analisar alguns pontos:
1 – Noé, era diferente desde o seu nascimento, em Genesis podemos perscrutar, que ele era afinal, o oitavo descendente de Sete, e que, era diferente dos demais, e que seus parentes almejam  sobre ele um grande livramento da situação depravada que a sociedade estava vivendo (Gn 5.29). Livros apócrifos, nos mostram e  defendem, a mesma  conotação no livro de Gênesis, nos dando a ênfase de que ele é, considerado uma tipologia do Messias que havia de vir.
        A situação desprezível da humanidade era grande, ao ponto de Deus querer destruir completamente toda a sua criação, por causa do homem que a contaminou. O capítulo seis de Genesis nos mostra a situação de toda a humanidade (Gn 6.1-7) e no meio de todo o caos existinte, havia um homem justo e santo. 2 – As características de Noé, o tornava diferente dos outros, em Gn 6.9 temos três características de como Noé seguia a sua vida: reto (representado nos textos originais como a palavra tsadik); Segunda característica de Noé era a sua perfeição, mas em que ele era perfeito? A palavra no hebraico e “tamiym” que significa:"correto ou aquele que esta de acordo com a verdade".
Noé tinha a ultima qualidade descrita no capítulo seis: “ele andava com Deus”, sim, em meio a um ambiente onde todos ao seu redor se esqueceram de Deus, ele estava firme ao lado do Senhor, seguindo o exemplo de Enos seu tataravô que foi o primeiro a invocar e adorar a Deus. Não poderia existir outra pessoa melhor que Noé para que a humanidade pudesse ter continuidade e assim, escapar  da ira de Deus para sua completa destruição.

Conclusão

Em meio a uma sociedade depravada completamente, cometendo os maiores absurdos e atos abomináveis para com Deus. Encontramos Noé, que viveu uma vida de retidão no meio de uma geração que foi condenada a completa condenação divina. O meio, não nos torna idênticos a ele, nós, mudamos o local em que vivemos e somos responsáveis para que ele seja como queremos.



Shalom Lekulam (Paz a todos). 

O que eu ganho com tanto trabalho?

by abril 17, 2018

“O que o homem ganha com todo o seu trabalho em que tanto se esforça debaixo do sol? Eclesiastes 1:2



Eclesiastes é o livro da conversa sincera, dos olhos nos olhos. O “Kohelet”, título hebraico da pessoa que faz os discursos, cria sua filosofia desconstruindo para reconstruir. Atenção! Você não deve se aproximar deste livro com ideias preconcebidas. Com o Eclesiastes é assim, você chega, se senta à mesa e espera até que ela esteja posta. A crueza do livro choca, e alguns até veem cinismo nele.
É certo que os primeiros discursos elencam todos os “negativos” da vida, de como as coisas são transitórias e efêmeras se comparadas à outra realidade além dos olhos. Porém os negativos não estão ali para chocar nem dar uma visão pessimista da vida. Eles nos ensinam.
O pregador nos diz que todo o nosso trabalho para pouco serve, é coisa transitória. Construímos uma casa, e logo ela começa a se deteriorar, e com isso vêm as constantes manutenções. Nada do que fazemos permanece.
Isso não é uma defesa da “inação”, existe uma teologia do trabalho que permeia a Bíblia e que vai influenciar o pensamento cristão, das manifestações pós-apostólicas ao início do capitalismo moderno e sua relação com a ética protestante.
Provérbios manda o preguiçoso ir ter umas aulas com a formiga (Provérbio 6:6) e Paulo diz aos tessalonicenses que quem não quer trabalhar deveria também não comer (2 Ts 3:10). Deus é apresentado trabalhando logo no início da  sua obra, e Jesus afirmou que assim como Deus, Ele também trabalhava (João 5:17). É verdade que certa teologia viu no trabalho uma maldição por causa da queda, mas o problema veio do incremento de dificuldade e não do trabalho em si.
De todo modo, mesmo reconhecendo o valor do trabalho, devemos aprender com o Kohelet que ele, assim como as outras coisas de nossa vida terrena, produz resultados transitórios.  O princípio aí é o de evitar uma visão exagerada do trabalho. Fazer dele o fim (quando é um meio) de nossa vida. Workaholics, as pessoas viciadas em trabalho, nem sempre aproveitam seus frutos. O excesso de trabalho, ou o excesso de preocupação com ele, produz mais frutos negativos que positivos (Ecl 2:23).
O importante é que tenhamos uma relação saudável com o trabalho, pensando sempre que ele deve ocupar seu tempo apropriado na nossa vida. Pois muito do desejo relacionado às realizações vêm de um sentimento de “ansiedade pela eternidade” (Ecl 3:11). Por isso muitos empreenderam obras pensando na sua permanência. Algumas realmente sobrevivem muitas gerações, mas mesmo esses encontrarão seu “ocaso”.
Você deve encarar o trabalho pelo que ele é. E em lugar de “maldição”, o trabalho passa a ser visto como um presente!
Afinal de contas, tudo o que fazemos deve ser feito para a glória de Deus (1 Co 10:31). 
Não é o que eu ganho, mas o que eu não perco no processo!
 “Descobri também que poder comer, beber e ser recompensado pelo seu trabalho, é um presente de Deus”. Eclesiastes 3:13.

Eu Tenho a Força?

by abril 12, 2018

"Tudo posso [em Cristo] naquele que me fortalece".
                                                        Filipenses 4:13

Texto muito conhecido...Fora do seu contexto. Citado assim, solto, dá uma ideia de poder, quase como se fosse um amuleto, uma frase mágica que pode te transformar em...

Sintoma de uma época em que vale mais o discurso de uma fé ufanista que as ações derivadas da fé sincera. Entretanto basta uma olhada no versículo anterior para desfazer o erro: “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação”.  Esse é um segredo importante para uma vida, em todos os sentidos, saudável. E um princípio cristão inegociável, praticado durante os últimos dois milênios por todos aqueles que foram tocados pela verdadeira paz que “excede todo entendimento” (v. 7).

Isso não é estoicismo. Nada de indiferença filosófica. É o fruto de uma fé madura. Não é tornar-se um tipo de robô incapaz de sentir. Não é ser “forte” no sentido de reprimir a todo custo nossos sentimentos. Pelo contrário, até o Mestre chorou (Jo 11:35)!

É conhecimento e é mais que conhecimento! Todo ensino passa pelo intelecto, mas ele precisa frutificar, ser incorporado ao nosso ser de tal modo que passe a ser parte da nossa natureza. Paulo chama isso de ter a “mente de Cristo”(1 Co 2:16). Isso se dá por meio da prática (Fp 4:9).   Paulo não era indiferente ou insensível, ele sentia as dores como todos nós, mas sabia que por meio de tudo isso ele era conduzido a algo melhor.

É uma grande ajuda, quando você passa por dificuldades, saber o seu objetivo. Quando isso acontece, as coisas não parecem mais tão assustadoras e você consegue ver os raios de sol num dia nublado.

E existe um “lado b” nessa fita (80’s), o texto reconhece que mesmo coisas aparentemente boas podem produzir resultados ruins. Vivemos um tempo de abundância (apesar das crises), se comparado a épocas passadas, e nossa geração é uma das mais iludidas com todas essas coisas que são apenas temporárias. “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação”, ensina o apóstolo!

Paulo já aprendera (2ª Co 12:09) que o poder de Deus se manifesta na fraqueza humana. Com isso em mente, podemos entender o texto como “eu tudo posso suportar, mesmo as coisas boas, em Cristo que me fortalece”. Esse é um contentamento que independe das circunstâncias exteriores.

Que tal praticar um pouco desse contentamento com tudo o que você tem HOJE?


Essa é a fortaleza inabalável de quem é fortalecido por Cristo!

Rótulos

by abril 10, 2018

"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo". 2ª Coríntios 5:17 (Almeida Corrigida e Revisada)
Se existe uma coisa complicada nessa vida é livrar-se dos rótulos. As pessoas são, em geral, deterministas. Se você reagiu de um modo em certa ocasião, as pessoas acham que vai continuar agindo da mesma forma em todas as ocasiões. Você certamente já ouviu alguém dizer fez isso e agora quer dar uma de santo, como se alguém não pudesse se arrepender e começar a fazer as coisas certas.
Se isso é ruim, muito pior é quando a pessoa se convence de que os rótulos são mesmo dela, como se eles fizessem parte da sua natureza e fosse impossível removê-los. Isso é bem comum, muitos de nós já se sentiram gravitando ao redor de um desses rótulos, abominando-o e sentindo-se incapaz de se desfazer dele. Uma amarra psicológica! Mas uma coisa são os comportamentos de uma pessoa, outra bem diferente é a pessoa em si.
É um tema central da vida cristã que em Cristo somos novas criaturas. O que fomos não importa mais, agora somos vistos pelo que Ele fez em nós. Isso não significa que não vamos ser tentados por comportamentos enraizados em nossos costumes, por padrões ancorados na nossa mente. O que não devemos é aceitar esses rótulos como parte de nós. “Tudo se fez novo” e é necessário que andemos “em novidade de vida” (Romanos 6:4).
Você não deve carregar todos esses rótulos. Você também não deve utilizar esses rótulos como desculpa para não mudar. Não diga “eu sou assim mesmo” ou “eu não posso mudar o que sou”, pois em Cristo você já é uma pessoa renovada. Você não é “duro”, “iracunda”, “obstinado”, “fácil”, “mentirosa”, “falso”...
Do mesmo modo, você precisa se esforçar para não ver as pessoas por esses rótulos, “a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano” (2ª Coríntios 5:16). Essa é a ideia por trás do “não julgueis”, pois em Cristo não existem mais estereótipos, Ele é tudo em todos (Colossenses 3:11). Os comportamentos devem ser vistos, e combatidos, se for o caso, pelo que eles são, comportamentos. Comportamento não é personalidade, é ação e escolha. As pessoas precisam entender que elas não são predestinadas a agir de certo modo, mesmo que elas sintam vontade de agir assim.
Jacó recebeu seu rótulo (Gênesis 25:26) no nascimento, “aquele que segura pelo calcanhar”. E seu nome soa, em hebraico, muito parecido com “enganador”. Imagine o que significava carregar um rótulo desses? E esse rótulo acabou por influenciar boa parte da vida adulta desse patriarca. Se ele era o “enganador”, por que agiria de outro modo? Mas ele teve um encontro com Deus (Gênesis 35:10), e “tudo se fez novo”, a começar pelo seu nome.
Deus nos promete um novo nome (Apocalipse 2:17), um nome que realmente seja parte de nós no lugar dos nomes que temos hoje ou dos rótulos que vamos recebendo durante a vida.
Não carregue cargas que não precisa, nem as coloque sobre os ombros dos outros.
Somos novas criaturas, os rótulos, novos e velhos, já passaram!


Texto originalmente publicado em:
http://isaiasoliveira.blogspot.com
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